VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS
Segundo Carlos
Alberto Faraco e Cristóvão Tezza (1992), a língua “é um imenso conjunto de
variedades” (1992, p. 11). As diferenças perceptíveis no uso de uma língua
caracterizam as diferenças linguísticas, que são decorrentes de distintos
fatores.
Mauro Ferreira
(2003) explica que já na Antiguidade Clássica, Horácio, grande poeta e
intelectual latino, indicava a possibilidade de os usuários de uma determinada
língua usarem-na de forma diferente embora todos tenham conhecimento das
estruturas gerais de funcionamento desse código:
Há
uma
grande diferença
se
fala um deus ou um herói;
se um velho amadurecido
ou
um jovem impetuoso na flor da idade;
se uma matrona autoritária
ou uma ama dedicada;
se
um mercador errante
ou
um lavrador
de
pequeno campo fértil [...]
(Horácio, Arte poética)
O fragmento de
um poema de Horácio explicita a ideia de que, dentro de um mesmo idioma, a
estrutura da língua possa sofrer variação devido a uma série de fatores, como a
idade do falante, o grupo social a que pertence, a relação entre ele e o
ouvinte, etc. Algumas dessas variações são facilmente perceptíveis, outras são
mais sutis.
Tais variações
são chamadas variações linguísticas. As variações linguísticas são causadas por
três fatores principais: o tempo histórico, o ambiente geográfico e o grupo
sociocultural.
VARIAÇÃO
HISTÓRICA
Como a língua
não é estática nem imutável, com o passar do tempo é natural ocorrer mudança na
forma de falar, na grafia de palavras e no significado dos vocábulos.
Essas
transformações surgidas ao longo do tempo recebem o nome de variações
históricas.
VARIAÇÃO
SOCIOCULTURAL
A variação
sociocultural, segundo Ferreira (2003), não é difícil de ser constatada. O
autor explica essa variação da seguinte forma:
Suponha, por
exemplo, que alguém diga a seguinte frase:
Tá na cara que eles não teve peito de encará
os ladrão. [Frase 1]
Que tipo de
pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos caracterizá-la, por exemplo, pela
profissão: um advogado? Um trabalhador braçal da construção civil? Um médico?
Um garimpeiro? Um repórter de televisão?
E quem usaria a frase a seguir?
Obviamente faltou-Ihes coragem para enfrentar
os ladrões. [Frase 2]
Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes
de grupos sociais economicamente mais pobres. Pessoas que, muitas vezes, não
frequentaram a escola, ou, quando muito, fizeram-no em condições não adequadas.
Já a frase 2 é mais comum aos falantes que
tiveram possibilidades socioeconômicas melhores e puderam, por isso, ter um
contato mais duradouro com a escola, com a leitura, com pessoas de um nível
cultural mais elevado e, dessa forma, "aperfeiçoaram" seu modo de
utilização da língua.
Para Ferreira
(2003), “a comparação entre as duas frases permite concluir, portanto, que as
condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos, gerando, assim,
certas variações na maneira de usar uma mesma língua” (p. 78). Essas variações
recebem o nome de variações socioculturais. É nesse tipo de variações que estão
incluídos os estrangeirismos e as gírias.
NÍVEIS DE LINGUAGEM
Dá-se o nome de registro ou nível
de linguagem à variante linguística condicionada pelo grau de formalidade da
situação comunicativa. Assim, há registros ou níveis de linguagem mais ou menos
formais. Todas as variantes linguísticas acima citadas apresentam registros
mais ou menos formais (GUIMARÃES, 2012, p.50-51).
É importante lembrar que é diferente ser
informal na escrita ou na oralidade,
Nível culto: caracteriza-se como uma linguagem que se utiliza da
língua-padrão, desfruta de prestígio, é utilizada em situações formais e os
falantes são altamente escolarizados. Apresenta sintaxe complexa, vocabulário
amplo e técnico.
Nível popular: é considerado
subpadrão linguístico, ausência de prestígio, uso em situações informais,
falantes pouco ou não escolarizados, simplificação sintática, vocabulário
restrito, uso de gírias e linguagem obscena.
Nível comum: empregada por falantes medianamente escolarizados e
pelos meios de comunicação de massa.
Leonardo Cabral
Referências
FERREIRA, Mauro. Aprender e
praticar a gramática. São Paulo: FTD, 2003.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA,
Cristóvão. Prática de texto para estudantes universitários. Petrópolis: Vozes,
1992.
CEREJA, William Roberto;
MAGALHÃES, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação.
São Paulo: Atual, 1999.
MEDEIROS, João Bosco. Redação
empresarial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.