terça-feira, 25 de abril de 2017

O que é coesão textual?

Quando falamos de COESÃO textual, falamos a respeito dos mecanismos linguísticos que permitem uma sequência lógico-semântica entre as partes de um texto, sejam elas palavras, frases, parágrafos, etc. Entre os elementos que garantem a coesão de um texto, temos:
  1. as referências e as reiterações: Este tipo de coesão acontece quando um termo faz referência a outro dentro do texto, quando reitera algo que já foi dito antes ou quando uma palavra é substituída por outra que possui com ela alguma relação semântica. Alguns destes termos só podem ser compreendidos mediante estas relações com outros termos do texto, como é o caso da anáfora e da catáfora.
  2. as substituições lexicais (elementos que fazem a coesão lexical): este tipo de coesão acontece quando um termo é substituído por outro dentro do texto, estabelecendo com ele uma relação de sinonímia, antonímia, hiponímia ou hiperonímia, ou mesmo quando há a repetição da mesma unidade lexical (mesma palavra).
  3. os conectores (elementos que fazem a coesão interfrásica): Estes elementos coesivos estabelecem as relações de dependência e ligação entre os termos, ou seja, são conjunções, preposições e advérbios conectivos.
  4. a correlação dos verbos (coesão temporal e aspectual): consiste na correta utilização dos tempos verbais, ordenando assim os acontecimentos de uma forma lógica e linear, que irá permitir a compreensão da sequência dos mesmos.
São os elementos coesivos de um texto que permitem as articulações e ligações entre suas diferentes partes, bem como a sequenciação das ideias.

O que é coerência textual?

Quando falamos em COERÊNCIA textual, falamos acerca da significação do texto, e não mais dos elementos estruturais que o compõem. Um texto pode estar perfeitamente coeso, porém incoerente. É o caso do exemplo abaixo:
"As ruas estão molhadas porque não choveu"
Há elementos coesivos no texto acima, como a conjunção, a sequência lógica dos verbos, enfim, do ponto de vista da COESÃO, o texto não tem nenhum problema. Contudo, ao ler o que diz o texto, percebemos facilmente que há uma incoerência, pois se as ruas estão molhadas, é porque alguém molhou, ou a chuva, ou algum outro evento. Não ter chovido não é o motivo de as ruas estarem molhadas. O texto está incoerente.
Podemos entender melhor a coerência compreendendo os seus três princípios básicos:
  1. Princípio da Não Contradição: em um texto não se pode ter situações ou ideias que se contradizem entre si, ou seja, que quebram a lógica.
  2. Princípio da Não Tautologia: Tautologia é um vício de linguagem que consiste n a repetição de alguma ideia, utilizando palavras diferentes. Um texto coerente precisa transmitir alguma informação, mas quando hárepetição excessiva de palavras ou termos, o texto corre o risco de não conseguir transmitir a informação. Caso ele não construa uma informação ou mensagem completa, então ele será incoerente
  3. Princípio da Relevância: Fragmentos de textos que falam de assuntos diferentes, e que não se relacionam entre si, acabam tornando o texto incoerente, mesmo que suas partes contenham certa coerência individual. Sendo assim, a representação de ideias ou fatos não relacionados entre si, fere o princípio da relevância, e trazem incoerência ao texto.
Outros dois conceitos importantes para a construção da coerência textual são a CONTINUIDADE TEMÁTICA e a PROGRESSÃO SEMÂNTICA.
Há quebra de continuidade temática quando não se faz a correlação entre uma e outras partes do texto (quebrando também a coesão). A sensação é que se mudou o assunto (tema) sem avisar ao leitor.
Já a quebra da progressão semântica acontece quando não há a introdução de novas informações para dar sequência a um todo significativo (que é o texto). A sensação do leitor é que o texto é demasiadamente prolixo, e que não chega ao ponto que interessa, ao objetivo final da mensagem.
Em resumo, podemos dizer que a COESÃO trata da conexão harmoniosa entre as partes do texto, do parágrafo, da frase. Ela permite a ligação entre as palavras e frases, fazendo com que um dê sequência lógica ao outro. A COERÊNCIA, por sua vez, é a relação lógica entre as ideias, fazendo com que umas complementem as outras, não se contradigam e formem um todo significativo que é o texto.
Vale salientar também que há muito para se estudar sobre coerência e coesão textuais, e que cada um dos conceitos apresentados acima podem e devem ser melhor investigados para serem melhor compreendidos.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Ambiguidade

A ambiguidade acontece quando uma só palavra, no mesmo contexto ou numa mesma ocorrência, assume diferentes significados.
Pode também apresentar a sensação de indecisão, hesitação, imprecisão ou incerteza.
É bastante aplicável em textos literários, poéticos ou humorísticos,estando presente também  em canções.

Ex: Um velho com mania de golfinhos e focas
As ‘Sete irmãs” estão interessadas nas riquezas da floresta
A tele-novela das sete dói nas nádegas
Pra frente como um caranguejo a revolução dos idiotas
O homem coca, o menino cola
Que droga de juventude coca-cola
Perdeu a identidade pela maré o contorno das costas
De saída perderam o trem de partida
Nesse lugar a vaia é a véspera do aplauso
É permitido proibir as verdadeiras cenas do futuro
Os porões do regime um cogumelo e um andróide fardado
O Hino Nacional só deveria ser cantado pelos pássaros
Um homem que fala outras línguas de cabelo engomado
Pode levar seu povo ao etnocídio justificado
Um de pequeno bigode a risadas e outro ao nacionalismo exagerado
As imagens não mentem o que foi ocultado pelas palavras
A sociedade é uma ilusão de imagens fragmentadas
Somos infelizes porque temos os sexos separados
O homem e a mulher nunca se entenderam porque há diferença nos corpos
O avanço tecnológico não trouxe o avanço moral da humanidade
Pra que tanto ouro se o cálice era de madeira
“Nosso futuro é o passado na América do Sul”
O bem é representado pelos generais diz um aliado da igreja
A maré que foi é a mesma que volta
Deixe-nos já morrer, deixe-nos já parecer
Visto que nossos deuses também morreram
Disseram os índios mexicanos aos franciscanos
A realidade é ambígua: bem e mal andam de mãos dadas
“Quem somos, de onde viemos, para onde vamos?
Eqüidistante do pessimismo total e do otimismo injustificado
Não faço coro com os que dizem que o país é inviável”
Ambigüidades a parte tudo tem lógica.
                (Vagner Castro)

Por :Michele Fagundes

domingo, 23 de abril de 2017

VARIAÇÕES E PRECONCEITO LINGUÍSTICO

“(...) Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes (…)”. ♪ ♫
Meninos e Meninas – Legião Urbana

Está afirmação de Renato Russo a respeito da expressão "Eu canto em português errada da como pontapé a questão: 
Afinal é possível cantar ou falar em português incorretamente?
Ao ver da sociedade o correto seria da mesma forma que escrevemos, aplicá-los em fala com todos as regras gramaticais, mas sabemos que isso não ocorre. Renato Russo com seu jeito despojado de ser quis demonstrar através de suas músicas que as regras gramaticais existem para não deixar a sociedade perdida, imagina todos optando falar e escrever da sua própria maneira, sem seguir um padrão, deixaria nossa fala cair no esquecimento, por tanto devemos sim ter ciência que existem regras para serem aplicadas, mas apenas na escrita. Aplica-las diariamente deixaria nossa fala um tanto sem graça.
Aplicando um exemplo de que nossas regras são um pouco complicadas para serem utilizadas, sabemos que  o verbo "namorar" é um transito direto,ou seja, ele não aceita preposição. Mas atire a primeira pedra quem nunca falou "namoro com alguém". Ironias a parte, mas a prova foi aplicada de que nem sempre é possível seguir as regras na fala.
Por tanto,na fala nada de ficar apontando os "erros" dos outros falantes, deixem o povo falar.
[...] A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada [...]"
 .
(Evocação do Recife – Manuel Bandeira)

Por: Ketelen da Silveira Ferreira 
Técnico em Administração - Cavg 
23 de abril de 2017.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

VARIAÇÕES LINGUISTICAS

VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS


Segundo Carlos Alberto Faraco e Cristóvão Tezza (1992), a língua “é um imenso conjunto de variedades” (1992, p. 11). As diferenças perceptíveis no uso de uma língua caracterizam as diferenças linguísticas, que são decorrentes de distintos fatores.
Mauro Ferreira (2003) explica que já na Antiguidade Clássica, Horácio, grande poeta e intelectual latino, indicava a possibilidade de os usuários de uma determinada língua usarem-na de forma diferente embora todos tenham conhecimento das estruturas gerais de funcionamento desse código:

uma grande diferença
se fala um deus ou um herói;
 se um velho amadurecido
ou um jovem impetuoso na flor da idade;
 se uma matrona autoritária
 ou uma ama dedicada;
se um mercador errante
ou um lavrador
de pequeno campo fértil [...]
 (Horácio, Arte poética)
O fragmento de um poema de Horácio explicita a ideia de que, dentro de um mesmo idioma, a estrutura da língua possa sofrer variação devido a uma série de fatores, como a idade do falante, o grupo social a que pertence, a relação entre ele e o ouvinte, etc. Algumas dessas variações são facilmente perceptíveis, outras são mais sutis.
Tais variações são chamadas variações linguísticas. As variações linguísticas são causadas por três fatores principais: o tempo histórico, o ambiente geográfico e o grupo sociocultural.

VARIAÇÃO HISTÓRICA
Como a língua não é estática nem imutável, com o passar do tempo é natural ocorrer mudança na forma de falar, na grafia de palavras e no significado dos vocábulos.
Essas transformações surgidas ao longo do tempo recebem o nome de variações históricas.

VARIAÇÃO SOCIOCULTURAL
A variação sociocultural, segundo Ferreira (2003), não é difícil de ser constatada. O autor explica essa variação da seguinte forma:
Suponha, por exemplo, que alguém diga a seguinte frase:
 Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão. [Frase 1]
Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos caracterizá-la, por exemplo, pela profissão: um advogado? Um trabalhador braçal da construção civil? Um médico? Um garimpeiro? Um repórter de televisão?
 E quem usaria a frase a seguir?
  Obviamente faltou-Ihes coragem para enfrentar os ladrões. [Frase 2]
 Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes de grupos sociais economicamente mais pobres. Pessoas que, muitas vezes, não frequentaram a escola, ou, quando muito, fizeram-no em condições não adequadas.
 Já a frase 2 é mais comum aos falantes que tiveram possibilidades socioeconômicas melhores e puderam, por isso, ter um contato mais duradouro com a escola, com a leitura, com pessoas de um nível cultural mais elevado e, dessa forma, "aperfeiçoaram" seu modo de utilização da língua.
Para Ferreira (2003), “a comparação entre as duas frases permite concluir, portanto, que as condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos, gerando, assim, certas variações na maneira de usar uma mesma língua” (p. 78). Essas variações recebem o nome de variações socioculturais. É nesse tipo de variações que estão incluídos os estrangeirismos e as gírias.

NÍVEIS DE LINGUAGEM

Dá-se o nome de registro ou nível de linguagem à variante linguística condicionada pelo grau de formalidade da situação comunicativa. Assim, há registros ou níveis de linguagem mais ou menos formais. Todas as variantes linguísticas acima citadas apresentam registros mais ou menos formais (GUIMARÃES, 2012, p.50-51).
 É importante lembrar que é diferente ser informal na escrita ou na oralidade,

Nível culto: caracteriza-se como uma linguagem que se utiliza da língua-padrão, desfruta de prestígio, é utilizada em situações formais e os falantes são altamente escolarizados. Apresenta sintaxe complexa, vocabulário amplo e técnico.
 Nível popular: é considerado subpadrão linguístico, ausência de prestígio, uso em situações informais, falantes pouco ou não escolarizados, simplificação sintática, vocabulário restrito, uso de gírias e linguagem obscena.
Nível comum: empregada por falantes medianamente escolarizados e pelos meios de comunicação de massa.


                                                                                     Leonardo Cabral

       
 Referências
FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar a gramática. São Paulo: FTD, 2003.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de texto para estudantes universitários. Petrópolis: Vozes, 1992.
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação. São Paulo: Atual, 1999.

MEDEIROS, João Bosco. Redação empresarial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

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